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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Autobiografia vs. Biografia

"Acredito, sim, em inspiração, não como uma coisa que vem de fora, que 'baixa' no escritor, mas simplesmente como o resultado de uma peculiar introspecção que permite ao escritor acessar histórias que já se encontram em embrião no seu próprio inconsciente e que costumam aparecer sob outras formas — o sonho, por exemplo. Mas só inspiração não é suficiente".
(Moacyr Scliar)


Até então eu nunca tinha ouvido nem falar sobre Moacyr Scliar -- embora isso já não é surpresa para mim que ainda não ouvi falar de muita gente, diga-se de passagem. Descobri-o, então, através de sua autobiografia "Moacyr Scliar - O Texto, ou: A Vida" meu melhor presente de natal de 2007 -- embora seja o único.

Não diria que foi o melhor livro lido por mim até hoje, ainda porque minha biblioteca muito carece para se tornar algo reasonable, mas, para todos os efeitos, certamente está entre os melhores. E como prova disso, despertou em mim um novo interesse: ler mais autobiografias.

Mesmo ainda sem ter lido bibliografias (além das da Bíblia), algo me faz pensar que prefiro autobiografias à biografias. Explico.

Um dos momentos que mais aprecio em família é quando gerações anteriores (seja esta a dos pais, avós, bisavós...) contam sobre suas experiências. Nutro um especial apreço por ouvir aquela fala mansa com voz encorpada de conhecimento contar suas histórias, seus casos, relatar sobre sua juventude, as músicas que ouviam, as roupas que usavam, os hypes (embora muito provavelmente nem sequer soubessem da existência desse termo), as perspectivas do futuro à época, seus planos, enfim, quando descrevem o mundo em que viviam, um mundo totalemente diferente do qual vivemos.

Talvez esse apreço se deve à minha persistente tentativa de interpretar o presente à luz do passado com a inútil esperança de que isso irá me ajudar a prever/enteder o futuro. Seja como for, acredito que este compartilhamento de experiência de vida é a melhor maneira de se transmitir conhecimentos e em sua melhor forma: ''in natura".

E penso que por isso então prefiro autobiografias à biografias. De repente biografias e autobiografias poderiam receber um novo conceito. A primeira, ensinamentos sobre a vida de alguém, e, a segunda, experiências que o autor acredita ser tão útil/válidos para a vida, a ponto de desejar materializá-las, compartilhá-las e "eternizá-las". Tem algo mais valioso que conhecimentos learning by doing "for free"?

Poderia ser um pouco mais grosseiro e dizer que uma biografia nada mais é que uma babação de ovo explícita, descarada e sem escrúpulos de alguém em homenagem à outrem, em sua maioria póstumas, -- enquanto que, em se tratando de autobiografias, já não se pode dizer o mesmo até por questões morfológicas -- mas não vou.

Enfim, o livro é ótimo, o autor é excelente (imortal -- com ou sem aspas --, a saber) e o assunto é "meu novo predileto".


PS.: Three! And counting...
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sociedade Pós-Capitalista - Um quase review

Já comentei lá no Twitter (mas de novo Luis Henrique? Pois é, como disse Fábio Seixas outrora, o twitter é também um behind the scenes dos blogs -- mas voltando ao assunto) comecei a ler um livro essa semana meio que por acidente e, ao que tudo indicava, seria um dos livros mais interessantes lidos por moi.

De fato, seria muito mais interessante se o livro acabasse na introdução, ou, em último caso, a introdução mais a última seção.
O livro em questão é "Sociedade Pós-Capitalista" do honorável Peter Drucker. Na obra, original datada de 1993, o autor tenta "prever" o futuro e discorre, na visão dele, sobre como será a sociedade, então denominada pós-capitalista. Em resumo, o autor enfatiza sobremaneira que o conhecimento será a mola-mestra da nova ordem e que moverá tudo e a todos.

Em "Sociedade Pós-Capitalista", Peter Drucker descreve como a cada uma ou duas centenas de anos ocorreu uma transformação aguda, que afetou grandemente a sociedade -- sua visão de mundo, seus valores básicos, suas empresas, sua economia, e sua estrutura política e social. De acordo com Drucker, estamos agora atravessando (quase finalizando) outra época de mundanças radicais, da Era do Capitalismo e da Nação-Estado para uma Sociedade do Conhecimento e uma Sociedade de Organizações. O principal recurso na sociedade pós-capitalista será o conhecimento e os grupos sociais mais importantes serão constituidos pelos "trabalhadores do conhecimento".

Examinando passado e futuro, Drucker discute a Revolução Industrial, a Revolução da Produtividade, a Revolução Gerencial e o controle das corporações. Ele explica as novas funções das organizações, a economia do conhecimento e a produtividade como prioridade social e econômica. Analisa a transformação da Nação-Estado em Megaestado, o novo pluralismo dos sistemas políticos e a necessária reformulação do governo. Drucker ainda detalha as questões do conhecimento e seu uso, bem como, o papel do conhecimento na socidade pós-capitalista

Eu, um entusiasta do desenvolvimentismo meio neo-schumpeteriano, não pude deixar de achar o assunto mega interessante e lê-lo o mais rápido possível. Mas, fato é que Drucker deixou para tratar sobre o conhecimento, tão enfatizado na introdução, lá na última seção do livro.

O livro como um todo é interessante, não como imaginei que seria, mas em parte o é. É interessante saber como um visionário, tal qual Peter Drucker, imaginou a sociedade, bem como todos os seus inter e intra relacionamentos, há 1,5 década, quando o computador, hoje indispensável, estava começando a desempenhar seu papel.

Uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento, nas especializações, nas especificidades, em uma espécie de releitura da teoria ricardiana de vantagens comparativas.

Paradoxalmente, o livro abrange várias áreas como sociedade, política e quetais, sendo assim, penso eu, interessante para uma diversa gama de profissionais variando de antropólogos, socióligos, cientistas políticos a até economistas, administradores e afins.

Mas dentre tantos temas e assuntos por ele tratados, eu destaco um que me chamou especial atenção -- e não é sobre conhecimento. A velocidade dos ciclos. Como a periodicidade dos ciclos é cada vez menor e a dinamicidade das sociedades é cada vez mais perceptível. Escrever um livro sobre como será a sociedade, ou como esta se comportará daqui a algumas décadas, é muito mais difícil do que algumas décadas atrás.

Enfim, o livro é bom, o autor é bom, e o assunto é interessante. Para finalizar, o desfecho:

"Mas uma coisa podemos prever: a maior mudança ocorrerá no conhecimento -- em sua forma e conteúdo, seu significado, sua responsabilidade e naquilo que significa ser uma pessoa instruída"


PS.: Com este, eu consigo atingir minha meta de ler mais de um livro por mês. \o/
PPS.: Tudo bem que o outro eu tinha começado a ler ano passado, mas dá um desconto, era um brutamonte de 500 páginas, né!!
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Homossexual a explicar um poema

Isso é muito engraçado. Dispensa qualquer "nariz de cera".