Não como outrora, mas estamos de volta depois de um longo tempo. Desta vez, para responder alguns comentários que eu julguei dignos de um post.
O primeiro é do Jaderson, que comentou lá no post em que eu argumentei que a China nunca chegará a ser um país desenvolvido. Segue o comentário:Caro Luis Henrique, estava aqui procurando algum texto interessante sobre "pq inovar é preciso" e achei seu blog. Mas a verdade é que eu me interessei mais pelo último parágrafo do seu texto sobre a China: "Tenho 300+ Mb em pdfs sobre Economia Industrial e Economia da Tecnlogia... além de um consistente know-how em colegar dados da UNcomtrade e OMC". Pois então, estou tentando fazer uma monografia sobre "Inovação Tecnológica no Brasil", buscando respostas do porquê nosso paí s tem um sistema nacional de inovação imaturo. Se vc tem interesse em me ajudar, por favor me escreva.
Obrigado, e parabéns pelo blog.Me desculpe, mas comparar estes estados que são bem, mas beeeeeeem menores que o Brasil(quase do tamanho do estado de São Paulo),que não tem uma estrutura federativa como tem o Brasil é irreal.
É só olhar pra França que ja é um pouquinho maior e ver que a coisa fica pior.
A suécia não tem nem 10 milhoes de habitantes.
Carga Tributária amarra a economia sim e gera problemas sim. Esses paí ses vao ter problemas logo, logo com falta de investimento(com exceção da Suiça que tem o sistema bancário). Só estão aguentando mais por conta da UE.
Temos que seguir o exemplo de Ronald Reagan e JFK e diminuir os impostos, gerando prosperidade.
De um Liberal.
Concordo que a livre concorrência é o melhor para uma economia pois incentiva a concorrência, que por sua vez, motiva o desenvolvimento técnico-científico, o grande motor do desenvolvimento econômico em um ambiente capitalista para a escola desenvolvimentista.
Porém, discordo quando você diz que os países escandinavos estão fadados ao pior. O alto IDH deles é conseqüência justamente da alta porcentagem de arrecadação em relação ao PIB, pois são em sua maioria direcionados às áreas de educação, saúde e social, que incide diretamente no IDH. E, corrija-me se estiver errado, não há indícios de corrupção, fator que Keynes esqueceu de computar em sua Teoria Geral e que faz toda diferença aqui em terras tupiniquins.
Vide, por exemplo, a Finlândia, que, por experiência de próximos, possui um sistema de saúde estatal melhor que o sistema privado estadunidense. E por exemplos de empresas de capital privado bem sucedido na escandinávia, temos a finlandesa Nokia, líder mundial na fabricação de aperelhos celulares, e laboratórios farmaceuticos (não só escandinavos, mas norte-europeus em geral) reconhecidos mundialmente. Ambos categorizados pela OMC como produtos de alta tecnologia
Acredito que em alguns gargalos da economia a mão invisível esquece de aparecer, sendo assim, necessário para o bem desenvolvimento econômico, um empurrãozinho do Estado. Empurrãozinho este, que nações como o Brasil carecem tanto para fomentar o desenvolvimento da indústria de média-alta e alta tecnologia (imprescindíveis para a consolidaçoão do desenvolvimento econômico), como para solidificar a educação, condição sine-qua-non para se ter uma indústria desenvolvida no país.
No final das contas, a gente acaba percebendo que isto vai nos levar à uma discussão muito mais de cunho ideológico do que político ou econômico propriamente dito, e que buscamos na ciência, em sua magnitude de significados, uma justificativa para nosso ideal. Mas como todos nós sabemos, ideal por ideal, cada um tem o seu. Uns preferem ser escravos do capitalismo, outros preferem passar fome em Cuba. No quesito ideológico político, it's a matter of taste, não há certo ou errado.
O que é errado é a usurpação do dinheiro público para favorecimento próprio ou de próximos, também chamado de "corrupção", o principal alvo da minha crítica.
De qualquer forma, agradeço a ambos pelos comentários. Espero tê-los respondido a altura, do cotrário, a caixa de comentários permanecerá aberta, e é isso que faz dos blogs uma ferramenta fantástica para se expressar, de se comunicar, e sobretudo compartilhar informação/conhecimento.
Mais uma vez, obrigado e voltem sempre!
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
And we're back!
Postado por
Luis Henrique
às
14:00
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Marcadores: Economia, Economia Industrial, Política
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Depois da China, a Índia.
Saiu na HSM Management (que apesar de ser uma revista para administradores, faz uma ótima cobertura no mundo dos negócios) que a fabricante de eletrônicos de consumo Videocon Industries, da Índia, fará uma proposta pela divisão de aparelhos celulares da Motorola, caso a companhia norte-americana decida vender o negócio. Motorola, que apesar de usar (e propagar) estratégia Seis Sigma, parece ir meio mal das pernas no momento.
Mas o que mais me interessa nesta história não é se a estratégia da Motorola foi bem ou mal sucedida, mas sim a postura da indústria indiana. Ainda semana passada foi anunciada a compra da Land Rover e Jaguar, ambas ex-grupo Ford, pela Tata, empresa automobilística também indiana.
Isso só nos permite afirmar que, apesar de como foi comentado por aqui semana passada que a Índia precisa mais-que-urgentemente de reformas -- idéia reforçada hoje no Financial Times --, o seu setor industrial não parou e continuou desenvolvendo tecnologia, o que é fundamental para o desenvolvimento econômico de um país. Qual empresa brasileira é desenvolvida tecnologicamente o suficiente para comprar um segmento da Motorola? Não vou citar o setor automobilístico brasileiro para não passar vergonha.
A China já começou suas compras há um tempo, sendo talvez a mais considerável delas, a compra de participações da IBM pela LeNovo que, ao que tudo parece, vai muito bem, obrigado.
Vale lembrar que me refiro a setores de média-alta e alta tecnologia, e não média-baixa e baixa como costumam ser as compras de empresas brasileiras.
E em se falando de países emergentes a pergunta que nos resta é: e o Brasil? A meu ver, a melhor resposta seria: até agora nada, mas parece (ênfase em *parece*) que aprendeu a lição.
| Via HSM
Postado por
Luis Henrique
às
20:10
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Marcadores: Economia, Economia Industrial, Notícias, Política
quinta-feira, 27 de março de 2008
E mais uma vez a China
Há uns três posts atrás, eu disse que no meu ponto de vista, a China estava fadada a ser o eterno país em desenvolvimento. Ainda no domingo a Mirian Leitão disse em seu blog (e em sua coluna no Globo) que não só o Brasil ou a China tem problemas com crescimento, mas todos os países do BRIC (so called "em desenvolvimento") enfrentam diversos gargalos que dificultam o desenvolvimento propriamente dito.
Em sua coluna de domingo, enfatizou que tanto a Índia como a China, tem ainda grandes problemas a resolver. A Índia com seu Estado superpopuloso e ineficiente, carece de reformas tanto quanto o Brasil de caráter mais que emergencial. O problema da China é com seu modelo de sustentabilidade ambiental, tão em vogue nos últimos tempos -- mas não sem motivos, a bem da verdade. Com o upgrade de indústrias leves para indústrias pesadas, a quantidade de siderúrgicas no país aumentou e com elas, a poluição e a chuva ácida. Estima-se que cerca de 400 mil chineses morrem por ano vítimas da poluição, um número bastante assustador.
Enquanto isso o Brasil -- em se abstraindo fatores como burocracia, corrupção, politicos e afins --, precisa urgentemente de uma política industrial eficiente que fomente o tão almeijado desenvolvimento técnico-científico e incentive investimentos em P&D, e a Rússia, bom, a Rússia já é um problema per se.
Dessa forma, os países então considerados do futuro estão ficando cada vez mais do futuro, e isso, diferentemente da gíria "bressânica", não é coisa boa.
| Link para o post da Mirian Leitão aqui.
Postado por
Luis Henrique
às
15:27
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Marcadores: China, Economia, Economia Industrial
quinta-feira, 20 de março de 2008
Inovar é preciso, ou: Porque a China nunca deixará de ser um país "em desenvolvimento"
Da série: posts cujo o título é quase maior que o texto.
Já tem um tempo que a economia chinesa é vista como uma aspirante a grande potência mundial, idéia que é reforçada pelos prósperos resultados obtidos, entre eles, um crescimento anual do PIB cercando os 10%. Há quem aposte todas as suas fichas que a China logo superará os EUA e assumirá a posição de maior potência econômica mundial. Eu aposto o contrário, que a China nunca deixará de ser um país "em desenvolvimento", e tentarei convencê-lo disto.
Para se ter uma potência econômica, é necessário mais do que uma indústria de ponta consolidada e uma economia/moeda forte. É preciso inovar, considerado para os desenvolvimentistas como a chave para o desenvolvimento econômico e que é fruto de intensivos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e em Ciência e Tecnologia (C&T)
Se há algo que a China não faz é inovar. Por inovação entenda-se não apenas a criação de novos produtos mas também o aprimorar os já existentes. E o que a China faz é exatamente o oposto: deteriora -- para poder atender o pobre mercado chinês. Já estão fazendo versões Xing-Ling até de automóveis, o que tem incomodado grandes montadoras como BMW, GM, Ford, etc. que ameaçam processar, não sem razão, vale dizer, a indústria automobilística chinesa de plagiar seus carros. Pelo menos alguns plágios vem com motor elétrico, contribuindo assim para a redução de emissão de CO2 na atmosfera.
Não que a China não tenha investido em P&D e C&T, prova disso é a LeNovo, empresa chinesa que comprou participações da gigante falida IBM e que lançou recentemente um concorrente para o MacBook Air fazendo Jobs guardar o brinquedinho dele no bolso. Mas a LeNovo é uma exceção. Não acredito que a indústria chinesa irá chegar aos níveis de desenvolvimento alcançado pela empresa de computadores. É como querer que o cara que sempre colou na escola para passar de ano, tire 10 em física quântica. Impossível? Não. Improvável.
Por improvável, eu prefiro apostar na genética industrial chinesa de fazer produtos falsificados de baixa qualidade e quase nenhuma inovação.
Mas então, o que explica os bons números da economia chinesa? Ora, a China representa ~1/6 da população mundial. 1/6 que precisa comer, vestir-se, locomover-se, etc. Ademais, dê uma olhada ao seu redor, quantos produtos 'made in china' você encontra? A saber, Nike, BenQ-Siemens, HP, para citar apenas alguns, são, em sua maioria, "made in china" (e quando não o são, são em algum China-like).
Enquanto a China não se voltar para a inovação continuará sendo o chão-de-fábrica das multinacionais de países desenvolvidos, assim como o Brasil é o celeiro do mundo. Não é à toa que ambos estão categorizados sob a mesma "égide": países emergentes ou, "em desenvolvimento". Por consenso, "países do futuro" (!) -- a eterna piada.
//Este é um assunto que pode render artigos científicos interessantes ou até monografias. Basta apenas refinar a revisão bibliográfica e levantar dados. Ênfase em *apenas*. Quem se interessar, let me know! Tenho 300+ Mb em pdfs sobre Economia Industrial e Economia da Tecnlogia que tratam basicamente sobre isso além de um consistente know-how em colegar dados da UNcomtrade e OMC, que talvez sejam úteis. =)
Postado por
Luis Henrique
às
19:22
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Marcadores: China, Economia, Economia Industrial