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terça-feira, 29 de julho de 2008

Mercado Financeiro -- O que fazer?

Não são poucos os brasileiros que estão desesperados, perdendo muito mais que cabelos com as constantes quedas na bovespa. Muitos dos que resolveram investir sua poupança no mercado financeiro enquanto a economia vivia um momento de céu de brigadeiro, amarga consideráveis perdas com o mau momento da economia atualmente.

A situação é bastante complicada, a crise hipotecária americana que alguns juravam de pé junto que não afetaria a economia brasileira, tardou mas não falhou. E o pior é que a crise ainda não está resolvida, ou seja, previsão de bom tempo só alguns raros otimistas.

A pergunta que fica é: o que fazer em momentos como este? A verdade é -- e você já deve presumir isso -- não há uma resposta considerada correta/exata para essa questão. O que há porém, são alguns "pontos cardeais" pelos quais podemos nos orientar para evitar grandes perdas, ou perdas ainda maiores. Eis aí algumas:

1. Os blue chips são a maioria entre os 10 papeis que mais desvalorizaram ultimamente. Isso pode indicar um bom momento de compra, visto que a queda se deveu a fatores exógenos ao fundamentalismo, ou seja, não há nada de errado com os papéis.

2. Papéis de empresas do setores financeiros, mais especificamente bancos, que apesar do crédito fácil ser um atrativo para inadimplência, especialistas afirmam que está longe do tão temido subprime.

3. E há também aqueles que apostam na subida do dólar comprando papéis de empresas do setor exportador, o que é meio expeculação porque nada garante que o dólar irá subir. Nem o contrário, é claro.

Para encerrar, a Exame desta quinzena (N.º 923), divulgou a carteira de ações que o investidor deve montar para se proteger dos solavancos da bolsa na matéria "Como se proteger durante a crise", embora muitos investidores preferem não confiar nos analistas entrevistados pela Exame.

15% Petrobras
15% Vale
15% Vemig
10% CSN
10% Itausa
10% Bradesco
10% CCR
10% AES Tiete
5% Usiminas

A Falácia DOHA

A rodada DOHA está nos centro das atenções dos noticiários políticos e econômicos. Muito se critica as nações industrializadas que pregam o liberalismo mas não o praticam. Afinal, será que esse liberalismo comercial é realmente bom para a economia brasileira? A resposta de todo bom economista: depende.

Neste ano, a rodada ficou marcada pelo incansável discurso de Celso Amorin dizendo, em outras palavras, que é melhor um pássaro na mão do que dois voando, ao mesmo tempo em que recebiamos severas críticas de correligionários de aliança comercial acusando o Brasil de traição.

A negociação estava mais ou menos assim, na área agrícola, os Estados Unidos haviam prometido o teto de US$ 14,5 bilhões ao ano para os subsídios concedidos a seus agricultores. Para o nosso atual ministro de relações exteriores, isso é considerado positivo

Enquanto isso, os países em desenvolvimento - ou seja, para o Brasil e seus sócios do Mercosul - se comprometeram em cortar 54% nas tarifas de importação de bens industriais, com margem de proteção para 14% das linhas tarifárias. E é aí que mora o perigo.

Reduzir impostos sobre produção industrial significa sufocar a indústria nascente, ou seja, todo esforço no sentido de desenvolver uma indústria nacional que é símbolo de uma nação economicamente desenvolvida, será jogado fora para favorecer aquilo que já temos de mais forte: a agricultura.

Com isso os liberais riem à toa, não existe nada mais ricardiano do que isso. Teoria da Vantagem Comparativa total. E é aí que entra o depende. Se o Brasil quiser ser para sempre conhecido como o celeiro do mundo, é ótimo, vamos produzir soja como nunca antes. Porém, se um dia quiser se desenvolver tecnologicamente, será tarde demais.

E enquanto o desenvolvimento não vem, o Brasil fica assim, a ver navios, indo e vindo. Porque para nós é super normal ver navios abarrotados de soja indo em troca de alguns com microchips vindo. Mas concordamos que os portugueses foram estúpidos quando assinaram o tratado com a coroa inglesa para vender vinhos em troca de trigo.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Liberalismo para liberal ver

É do saber de todos que os idealizadores deste blog não são muito simpatizantes dos ideais liberais. A começar por mim, é claro. É claro também, que não sou a favor do totalitarismo ou afins. Acredito que a economia de mercado, de livre concorrência, é imprescindível para o desenvolvimento. Mas acredito também que em certas circunstâncias/situações, o governo precisa intervir para dar um "empurrãozinho" -- pois caso ele não faça, ninguém mais o fará.

Porém, há os liberais fanáticos, crentes na mão invisível e que criticam veemente qualquer tipo de intervenção estatal na economia. Para justificar suas idéias, dão como exemplo o maior de todos, a potência mundial, os Estados Unidos da América. Porque, afinal, a América é livre!

Livre é, só não é imune a crises. E digo, mais certo que os liberais extremistas, estava Nietzsche com seu eterno retorno.

Assim como o New Deal -- que nada mais foi do que um conjunto de idéias Keynesianas *heterodoxas* intervencionistas -- foi a salvação para "américa" depois da crise de 29, eis que a mão invisível esquece de aparecer (de novo) e o governo americano resolve dar uma ajudinha para Fannie Mae e Freddie Mac. Ajudinha, porque eles são bonzinhos, afinal.

E ainda assim são chamados de liberais. Intervêm diretamente na economia, dão subsídios para Deus e mundo, invadem países, retaliam nações, enforcam presidentes, mas são liberais: laissez faire, laissez aller, laissez passer. É claro que são.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

And we're back!

Não como outrora, mas estamos de volta depois de um longo tempo. Desta vez, para responder alguns comentários que eu julguei dignos de um post.

O primeiro é do Jaderson, que comentou lá no post em que eu argumentei que a China nunca chegará a ser um país desenvolvido. Segue o comentário:

Caro Luis Henrique, estava aqui procurando algum texto interessante sobre "pq inovar é preciso" e achei seu blog. Mas a verdade é que eu me interessei mais pelo último parágrafo do seu texto sobre a China: "Tenho 300+ Mb em pdfs sobre Economia Industrial e Economia da Tecnlogia... além de um consistente know-how em colegar dados da UNcomtrade e OMC". Pois então, estou tentando fazer uma monografia sobre "Inovação Tecnológica no Brasil", buscando respostas do porquê nosso paí s tem um sistema nacional de inovação imaturo. Se vc tem interesse em me ajudar, por favor me escreva.
Obrigado, e parabéns pelo blog.
Me desculpe, mas comparar estes estados que são bem, mas beeeeeeem menores que o Brasil(quase do tamanho do estado de São Paulo),que não tem uma estrutura federativa como tem o Brasil é irreal.
É só olhar pra França que ja é um pouquinho maior e ver que a coisa fica pior.
A suécia não tem nem 10 milhoes de habitantes.
Carga Tributária amarra a economia sim e gera problemas sim. Esses paí ses vao ter problemas logo, logo com falta de investimento(com exceção da Suiça que tem o sistema bancário). Só estão aguentando mais por conta da UE.
Temos que seguir o exemplo de Ronald Reagan e JFK e diminuir os impostos, gerando prosperidade.

De um Liberal.


Márcio, tenho que concordar com você quando diz que é uma injustiça comparar Brasil com a Suécia tão apenas levando em consideração o tamanho da "unidade federativa". Concordo também que o Estado, usando seus termos, amarra a economia. Como eu já tinha elucidado no post supracitado, de maneira nenhuma sou a favor de um estato totalitário.

Concordo que a livre concorrência é o melhor para uma economia pois incentiva a concorrência, que por sua vez, motiva o desenvolvimento técnico-científico, o grande motor do desenvolvimento econômico em um ambiente capitalista para a escola desenvolvimentista.

Porém, discordo quando você diz que os países escandinavos estão fadados ao pior. O alto IDH deles é conseqüência justamente da alta porcentagem de arrecadação em relação ao PIB, pois são em sua maioria direcionados às áreas de educação, saúde e social, que incide diretamente no IDH. E, corrija-me se estiver errado, não há indícios de corrupção, fator que Keynes esqueceu de computar em sua Teoria Geral e que faz toda diferença aqui em terras tupiniquins.

Vide, por exemplo, a Finlândia, que, por experiência de próximos, possui um sistema de saúde estatal melhor que o sistema privado estadunidense. E por exemplos de empresas de capital privado bem sucedido na escandinávia, temos a finlandesa Nokia, líder mundial na fabricação de aperelhos celulares, e laboratórios farmaceuticos (não só escandinavos, mas norte-europeus em geral) reconhecidos mundialmente. Ambos categorizados pela OMC como produtos de alta tecnologia

Acredito que em alguns gargalos da economia a mão invisível esquece de aparecer, sendo assim, necessário para o bem desenvolvimento econômico, um empurrãozinho do Estado. Empurrãozinho este, que nações como o Brasil carecem tanto para fomentar o desenvolvimento da indústria de média-alta e alta tecnologia (imprescindíveis para a consolidaçoão do desenvolvimento econômico), como para solidificar a educação, condição sine-qua-non para se ter uma indústria desenvolvida no país.

No final das contas, a gente acaba percebendo que isto vai nos levar à uma discussão muito mais de cunho ideológico do que político ou econômico propriamente dito, e que buscamos na ciência, em sua magnitude de significados, uma justificativa para nosso ideal. Mas como todos nós sabemos, ideal por ideal, cada um tem o seu. Uns preferem ser escravos do capitalismo, outros preferem passar fome em Cuba. No quesito ideológico político, it's a matter of taste, não há certo ou errado.

O que é errado é a usurpação do dinheiro público para favorecimento próprio ou de próximos, também chamado de "corrupção", o principal alvo da minha crítica.

De qualquer forma, agradeço a ambos pelos comentários. Espero tê-los respondido a altura, do cotrário, a caixa de comentários permanecerá aberta, e é isso que faz dos blogs uma ferramenta fantástica para se expressar, de se comunicar, e sobretudo compartilhar informação/conhecimento.

Mais uma vez, obrigado e voltem sempre!

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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Grau de Investimento, mas disso você já sabia

Da série "antes tarde do que nunca", e aproveitando o fato de que muitos chegam por aqui querendo saber o que é grau de investimento, e o que a tal classificação refletirá na economia brasileira, não poderia deixar de comentar sobre o que já foi manchete em rede nacional: we got it!

Depois de muito esperar, e de alguns pessimistas dizerem que só viria em 2009, o Brasil enfim conquista o tão almejado grau de investimento. Por mais paradoxal que possa parecer, o que era tão esperado e almejado, acabou pegando muita gente de surpresa. A outros, deixaram rindo à toa, graças à mega valorização de alguns papéis na Bovespa.

As a matter of fact, o Brasil já era considerado Grau de Investimento por uma agência de riscos asiática de menor expressão, de tão menor expressão, o mercado nem 'sentiu'. Nada como uma S&P.

É claro que o Apedeuta não poderia passar incólume e já fez seu papel de presidente ignorante populista. Ou populista ignorante. "O Brasil passa por um momento mágico! (...) Investment Grade, eu nem sei como é que se pronuncia isso".

Thank God, a diretora da S&P, Lisa Schineller, deixou bem claro que o título conferido ao Brasil é graças a uma continuação da política econômica começada lá no governo FHC2. Engraçado que esses dias o Apedeuta disse que não dá para se fazer muita coisa em 4, 8 ou 10 anos. O que me preocupa é: o que raios ele quis dizer com isso?

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Bolsa floresta

Bom, recentemente fui convidado, por meio da Eco Eco, para [re]publicar um artigo, desta vez na Revista Ibero americana de Economia Ecológica. A resposta ainda não chegou, mas vamos lá.

Tudo isso ainda remonta dos áureos tempos da monografia de conclusão do curso, ciências econômicas no caso, que acabou se tornando um estudo da situação do Brasil no mercado de carbono. Ok, parece estranho para muitos, inclusive, a pasta Monografia nem estava dentro da pasta Economia.

Acontece que rola um sentimento recorrente em todas as releituras da monografia, o desconforto em relação a não valorização das florestas quando mantidas conservadas, que pode ser melhor explicado pela frase de Hylton:
“Eu estou em um mundo em que nós testemunhamos o conflito crescente entre segurança alimentar, segurança energética e segurança ambiental – enquanto há como se ganhar dinheiro com comida e energia e nenhuma renda procede das florestas de pé, é óbvio que a floresta sofrerá o golpe.”
Então, depois de concluir a edição do artigo, pude ler meus feeds e perceber que o Ministério do Meio Ambiente está tentando criar, ainda neste ano, uma espécie de "bolsa-floresta", com o pagamento de valores mensais a agricultores que realizem a "prestação de serviços ambientais", como a conservação de florestas ou recuperação de áreas degradadas, segundo a mesma matéria a proposta ressuscita o Pró-Ambiente, um projeto pioneiro que nunca ganhou escala.

FEITO!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Depois da China, a Índia.

Saiu na HSM Management (que apesar de ser uma revista para administradores, faz uma ótima cobertura no mundo dos negócios) que a fabricante de eletrônicos de consumo Videocon Industries, da Índia, fará uma proposta pela divisão de aparelhos celulares da Motorola, caso a companhia norte-americana decida vender o negócio. Motorola, que apesar de usar (e propagar) estratégia Seis Sigma, parece ir meio mal das pernas no momento.

Mas o que mais me interessa nesta história não é se a estratégia da Motorola foi bem ou mal sucedida, mas sim a postura da indústria indiana. Ainda semana passada foi anunciada a compra da Land Rover e Jaguar, ambas ex-grupo Ford, pela Tata, empresa automobilística também indiana.

Isso só nos permite afirmar que, apesar de como foi comentado por aqui semana passada que a Índia precisa mais-que-urgentemente de reformas -- idéia reforçada hoje no Financial Times --, o seu setor industrial não parou e continuou desenvolvendo tecnologia, o que é fundamental para o desenvolvimento econômico de um país. Qual empresa brasileira é desenvolvida tecnologicamente o suficiente para comprar um segmento da Motorola? Não vou citar o setor automobilístico brasileiro para não passar vergonha.

A China já começou suas compras há um tempo, sendo talvez a mais considerável delas, a compra de participações da IBM pela LeNovo que, ao que tudo parece, vai muito bem, obrigado.
Vale lembrar que me refiro a setores de média-alta e alta tecnologia, e não média-baixa e baixa como costumam ser as compras de empresas brasileiras.

E em se falando de países emergentes a pergunta que nos resta é: e o Brasil? A meu ver, a melhor resposta seria: até agora nada, mas parece (ênfase em *parece*) que aprendeu a lição.

| Via HSM

quinta-feira, 27 de março de 2008

E mais uma vez a China

Há uns três posts atrás, eu disse que no meu ponto de vista, a China estava fadada a ser o eterno país em desenvolvimento. Ainda no domingo a Mirian Leitão disse em seu blog (e em sua coluna no Globo) que não só o Brasil ou a China tem problemas com crescimento, mas todos os países do BRIC (so called "em desenvolvimento") enfrentam diversos gargalos que dificultam o desenvolvimento propriamente dito.

Em sua coluna de domingo, enfatizou que tanto a Índia como a China, tem ainda grandes problemas a resolver. A Índia com seu Estado superpopuloso e ineficiente, carece de reformas tanto quanto o Brasil de caráter mais que emergencial. O problema da China é com seu modelo de sustentabilidade ambiental, tão em vogue nos últimos tempos -- mas não sem motivos, a bem da verdade. Com o upgrade de indústrias leves para indústrias pesadas, a quantidade de siderúrgicas no país aumentou e com elas, a poluição e a chuva ácida. Estima-se que cerca de 400 mil chineses morrem por ano vítimas da poluição, um número bastante assustador.

Enquanto isso o Brasil -- em se abstraindo fatores como burocracia, corrupção, politicos e afins --, precisa urgentemente de uma política industrial eficiente que fomente o tão almeijado desenvolvimento técnico-científico e incentive investimentos em P&D, e a Rússia, bom, a Rússia já é um problema per se.

Dessa forma, os países então considerados do futuro estão ficando cada vez mais do futuro, e isso, diferentemente da gíria "bressânica", não é coisa boa.

| Link para o post da Mirian Leitão aqui.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Inovar é preciso, ou: Porque a China nunca deixará de ser um país "em desenvolvimento"

Da série: posts cujo o título é quase maior que o texto.

Já tem um tempo que a economia chinesa é vista como uma aspirante a grande potência mundial, idéia que é reforçada pelos prósperos resultados obtidos, entre eles, um crescimento anual do PIB cercando os 10%. Há quem aposte todas as suas fichas que a China logo superará os EUA e assumirá a posição de maior potência econômica mundial. Eu aposto o contrário, que a China nunca deixará de ser um país "em desenvolvimento", e tentarei convencê-lo disto.

Para se ter uma potência econômica, é necessário mais do que uma indústria de ponta consolidada e uma economia/moeda forte. É preciso inovar, considerado para os desenvolvimentistas como a chave para o desenvolvimento econômico e que é fruto de intensivos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e em Ciência e Tecnologia (C&T)

Se há algo que a China não faz é inovar. Por inovação entenda-se não apenas a criação de novos produtos mas também o aprimorar os já existentes. E o que a China faz é exatamente o oposto: deteriora -- para poder atender o pobre mercado chinês. Já estão fazendo versões Xing-Ling até de automóveis, o que tem incomodado grandes montadoras como BMW, GM, Ford, etc. que ameaçam processar, não sem razão, vale dizer, a indústria automobilística chinesa de plagiar seus carros. Pelo menos alguns plágios vem com motor elétrico, contribuindo assim para a redução de emissão de CO2 na atmosfera.

Não que a China não tenha investido em P&D e C&T, prova disso é a LeNovo, empresa chinesa que comprou participações da gigante falida IBM e que lançou recentemente um concorrente para o MacBook Air fazendo Jobs guardar o brinquedinho dele no bolso. Mas a LeNovo é uma exceção. Não acredito que a indústria chinesa irá chegar aos níveis de desenvolvimento alcançado pela empresa de computadores. É como querer que o cara que sempre colou na escola para passar de ano, tire 10 em física quântica. Impossível? Não. Improvável.

Por improvável, eu prefiro apostar na genética industrial chinesa de fazer produtos falsificados de baixa qualidade e quase nenhuma inovação.

Mas então, o que explica os bons números da economia chinesa? Ora, a China representa ~1/6 da população mundial. 1/6 que precisa comer, vestir-se, locomover-se, etc. Ademais, dê uma olhada ao seu redor, quantos produtos 'made in china' você encontra? A saber, Nike, BenQ-Siemens, HP, para citar apenas alguns, são, em sua maioria, "made in china" (e quando não o são, são em algum China-like).

Enquanto a China não se voltar para a inovação continuará sendo o chão-de-fábrica das multinacionais de países desenvolvidos, assim como o Brasil é o celeiro do mundo. Não é à toa que ambos estão categorizados sob a mesma "égide": países emergentes ou, "em desenvolvimento". Por consenso, "países do futuro" (!) -- a eterna piada.

//Este é um assunto que pode render artigos científicos interessantes ou até monografias. Basta apenas refinar a revisão bibliográfica e levantar dados. Ênfase em *apenas*. Quem se interessar, let me know! Tenho 300+ Mb em pdfs sobre Economia Industrial e Economia da Tecnlogia que tratam basicamente sobre isso além de um consistente know-how em colegar dados da UNcomtrade e OMC, que talvez sejam úteis. =)

quarta-feira, 12 de março de 2008

#35

O crescimento médio da economia brasileira de 3,8% nos últimos cinco do governo Lula coloca o Brasil em 35º lugar em desempenho, em um grupo de 39 países emergentes.


| Via Estadão

Apple fanboys, torçam para que Bill Gates seja brasileiro na próxima vida

Harder to explain than why Brazil's entrepreneurs are as they are is why they exist at all.
(The Economist sobre empresários brasileiros em relação a carga tributária)

Não é mistério para ninguém que não sou muito adepto às idéias liberais. Acho que o Governo representa um papel importante na economia suprindo as necessidades do mercado quando a mão invisível não aparece.

Também não é mistério para ninguém que a carga tributária brasileira é absurdamente abusiva, embora, a meu ver, o problema maior não é o tamanho da carga tributária, mas sim o mau uso desta, como demonstrado neste post sobre os países com as maiores cargas tributárias do mundo. (Talvez seja necessário eu deixar claro que, embora não simpatizante das idéias liberais, não defendo a atual carga tributária)

Seja como for, a The Economist dessa semana (veiculada a partir de quinta-feira passada 06.03) traz uma matéria enaltecendo os empresário brasileiros que conseguem sobreviver em meio a tamanho caos, de cargas tributárias abusivas e processos burocráticos que levam meses.

Que o Brasil precisa de uma reforma tributária e política urgentemente todos sabem, quiçá o maior clichê político de todos os tempos. O que por vezes temos medo de enxergar é que ainda não há nada nesse sentido sendo tramitado pelos corredores de Brasília. A maior lástima. E não é difícil de enxergar que isso é ruim para os empresários, que contratam menos, que é ruim para a economia e que, por fim, é ruim para o Brasil como um todo.

Enquanto isso, (não só o empresariado, mas todos) continuamos sustentando com nossos impostos uma máquina estatal sucateada que não consegue resolver seus próprios problemas, quem dirá do país. A solução? Explode tudo e começa de novo. Encontre-a, convença todos que a sua idéia é boa e torne-se o salvador da pátria.

Finalizo com a frase do economista Eduardo Gianetti da Fonseca que, juntamente com a epígrafe do post, encerra a reportagem da revista:

“If Bill Gates had started Microsoft in a garage in Brazil, it would still be in the garage.”

| Via The Economist

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Eficiência por favor

Quando estava fazendo a monografia de conclusão do curso (sim, quase um ano atrás) me deparei com uma tabela bem importante, ela mostrava o Japão como país mais eficiente no uso da energia e ficou lá pela página .. não, na verdade ela não foi publicada, ficou no curiosidades.doc mesmo, mas relacionava a energia/PIB de países industrializados.

Energia/PIB – indicador de intensidade energética - o indicador energia/PIB é denominado intensidade energética do PIB.

E a belíssima explicação, não publicada também:

Os indicadores de intensidade energética permitem a realização de macro-análises sobre a utilização da energia nos diversos setores da economia e sociedade ou, até mesmo, de toda a nação. Para tanto, relacionam variáveis energéticas, sociais e econômicas. Permitem também o traçado da evolução do uso da energia ao longo dos anos bem como a elaboração de perspectivas e tendências do mercado de energia, demanda e suprimento para os anos futuros.

Um bom exemplo é dado pelo Japão que, com a integração de políticas tecnológicas, energéticas e ambientais, conseguiu atingir um dos níveis de intensidade energética mais baixos entre os países da OECD (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Isso permitiu também a redução das emissões de poluentes atmosféricos associadas à utilização da energia ao mesmo tempo em que foi mantida uma taxa de crescimento econômico elevada.

Afinal, o uso eficiente de qualquer coisa em qualquer lugar já devia ter sido elevado ao patamar de indispensável em tempos modernos. Mas enquanto isso não acontece é com aplausos que se constroem mais e mais usinas termoelétricas movidas a carvão [argh] Brasil afora, perpetuando burramente o decadente sistema energético centralizado.

Percebam que mesmo usinas hidrelétricas fazem parte desse sistema, embora com menos desvantagens, e a nossa tão querida água, tão abundante, já dá sinais claros [se você não viu, eu vi] de escassez.

Aliás, não percam as homenagens do blog ao centenário da imigração japonesa no Brasil:

Imigração japonesa 1

Imigração japonesa 2

Bom, voltando .. sem demora veremos todas as atenções voltadas ao uso [pode ser ao mau uso] da água, esse precioso bem, que, se não está sumindo [pois tudo se transforma] está escasseando. Problemas à vista.

Este post deveria falar sobre a água, mas as coisas que eu vi são histórias para o próximo.


sábado, 16 de fevereiro de 2008

Lost posts e a volta daqueles que não foram.


E eu que escrevi alguns meio posts no lugar errado, o cérebro. Perdi mesmo, se foram junto com aqueles neurônios que a cerveja queimou durante o carnaval. Mentira, o carnaval já acabou e eu continuo sem escrever nada. Nada de nada.

As janelinhas de aviso das minhas assinaturas de newsletters não param, acumulam no e-mail assim como os feeds não lidos, e o #cparty está bombando lá no twitter.

Ok estou perdido, naufraguei em uma ilha imaginária [melhor dizer assim] e só recebo mais informações das mesmas coisas na maioria do tempo e, dentre asneiras e pesquisas britânicas o que tem me chamado atenção, são os rumos da globalização. Que coisa.

Reparem, sempre que enfrentamos alguma crise volta à tona o protecionismo e todos aqueles nervosismos tradicionais, modo já manjado de tapar o sol com a peneira e, com estas crises recentes, as dificuldades de equalização das economias em torno de objetivos, digamos, menos egoístas, tem se explicitado.

[Re]surge então com força a idéia de que problemas que são reconhecidos como globais, devem ser tratados globalmente, nada mais justo, visto que as decisões unilaterais dos países são posições fracas e tendem ao esquecimento quando assim for conveniente. Em determinadas ocasiões, uma supervisão não vai nada mal.

Um pouco mais implícita [ainda] é a importância que tem se dado às organizações supranacionais, estas a meu ver, poderiam/deveriam atuar como uma espécie de paradigma, e esse seria um passo fundamental na bela trajetória da globalização. Está demorando.

Visto isso, uma idéia que chega em boa hora é a criação da - Agência Mundial de Meio Ambiente - para regular as comercializações de carbono, pois nesse mercado já começam a surgir os primeiros grandes problemas, que já não são solucionados nas grandes reuniões esporádicas. É preciso mais ênfase, discussões isentas, permanentes e com poder de persuasão – vai aí uma organização supranacional?

Sem links assim mesmo. Desculpem, é tudo verdade.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sociedade Pós-Capitalista - Um quase review

Já comentei lá no Twitter (mas de novo Luis Henrique? Pois é, como disse Fábio Seixas outrora, o twitter é também um behind the scenes dos blogs -- mas voltando ao assunto) comecei a ler um livro essa semana meio que por acidente e, ao que tudo indicava, seria um dos livros mais interessantes lidos por moi.

De fato, seria muito mais interessante se o livro acabasse na introdução, ou, em último caso, a introdução mais a última seção.
O livro em questão é "Sociedade Pós-Capitalista" do honorável Peter Drucker. Na obra, original datada de 1993, o autor tenta "prever" o futuro e discorre, na visão dele, sobre como será a sociedade, então denominada pós-capitalista. Em resumo, o autor enfatiza sobremaneira que o conhecimento será a mola-mestra da nova ordem e que moverá tudo e a todos.

Em "Sociedade Pós-Capitalista", Peter Drucker descreve como a cada uma ou duas centenas de anos ocorreu uma transformação aguda, que afetou grandemente a sociedade -- sua visão de mundo, seus valores básicos, suas empresas, sua economia, e sua estrutura política e social. De acordo com Drucker, estamos agora atravessando (quase finalizando) outra época de mundanças radicais, da Era do Capitalismo e da Nação-Estado para uma Sociedade do Conhecimento e uma Sociedade de Organizações. O principal recurso na sociedade pós-capitalista será o conhecimento e os grupos sociais mais importantes serão constituidos pelos "trabalhadores do conhecimento".

Examinando passado e futuro, Drucker discute a Revolução Industrial, a Revolução da Produtividade, a Revolução Gerencial e o controle das corporações. Ele explica as novas funções das organizações, a economia do conhecimento e a produtividade como prioridade social e econômica. Analisa a transformação da Nação-Estado em Megaestado, o novo pluralismo dos sistemas políticos e a necessária reformulação do governo. Drucker ainda detalha as questões do conhecimento e seu uso, bem como, o papel do conhecimento na socidade pós-capitalista

Eu, um entusiasta do desenvolvimentismo meio neo-schumpeteriano, não pude deixar de achar o assunto mega interessante e lê-lo o mais rápido possível. Mas, fato é que Drucker deixou para tratar sobre o conhecimento, tão enfatizado na introdução, lá na última seção do livro.

O livro como um todo é interessante, não como imaginei que seria, mas em parte o é. É interessante saber como um visionário, tal qual Peter Drucker, imaginou a sociedade, bem como todos os seus inter e intra relacionamentos, há 1,5 década, quando o computador, hoje indispensável, estava começando a desempenhar seu papel.

Uma sociedade cada vez mais centrada no conhecimento, nas especializações, nas especificidades, em uma espécie de releitura da teoria ricardiana de vantagens comparativas.

Paradoxalmente, o livro abrange várias áreas como sociedade, política e quetais, sendo assim, penso eu, interessante para uma diversa gama de profissionais variando de antropólogos, socióligos, cientistas políticos a até economistas, administradores e afins.

Mas dentre tantos temas e assuntos por ele tratados, eu destaco um que me chamou especial atenção -- e não é sobre conhecimento. A velocidade dos ciclos. Como a periodicidade dos ciclos é cada vez menor e a dinamicidade das sociedades é cada vez mais perceptível. Escrever um livro sobre como será a sociedade, ou como esta se comportará daqui a algumas décadas, é muito mais difícil do que algumas décadas atrás.

Enfim, o livro é bom, o autor é bom, e o assunto é interessante. Para finalizar, o desfecho:

"Mas uma coisa podemos prever: a maior mudança ocorrerá no conhecimento -- em sua forma e conteúdo, seu significado, sua responsabilidade e naquilo que significa ser uma pessoa instruída"


PS.: Com este, eu consigo atingir minha meta de ler mais de um livro por mês. \o/
PPS.: Tudo bem que o outro eu tinha começado a ler ano passado, mas dá um desconto, era um brutamonte de 500 páginas, né!!
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

econometria~twitter

what are you doing?
(one simple question)


prometi lá no twitter esses dias que publicaria por aqui um texto muito bonito que tinha em mãos. ei-lo:

"A regressão de uma série temporal que possui raiz unitária contra outra que também possui raiz unitária pode produzir uma regressão espúria. Como todas as variáveis do modelo trabalhando individualmente são I(1), ou seja, integradas de ordem 1 seá feito o teste de co-integração de Engle-Granger com os resíduos da regressão contendo as variáveis em nível para ver se em conjunto a equação é estacionária."


com o intuito de não perder leitores, parei por ali. esse parágrafo foi retirado de uma apostila de econometria, no sub-item onde, a priori, explica o teste de co-integração. aí complica a vida do brasileiro.

*****
a econometria como um todo não tem nada de simples. um curso de ciências econômicas pode ser divido em AE (antes de econometria) e DE (depois de econometria).

para quem não sabe, econometria é uma cadeira obrigatória do curso de economia e poderia ser definido como uma mistura de (~10%) estatística, (~10%) cálculo, (~10%) teoria econômica e (~82,7%) bruxaria, apesar de haver muitos professores por aí que facilitam abissalmente a vida dos alunos, o que, em um todo, isso é péssimo.

como estive fortemente embuido em freelancers econométricos semana passada juntamente com o Michel, quase todos meus pensamentos vinham acompanhados de insights econométricos. quase igual quando se entra no twitter, tudo que você faz, faz pensando em como você poderia "twittar" aquilo. fazendo uma junção dos dois então, temos um modelo econométrico do twitter, apenas para exemplificar.

FT = β0 + β1 Mkt + β2 ET + β3 Blog + β4 TI_Guys + ε.

onde a variável explicada (FT) são meus followers no twitter, e as variáveis explicativas são (Mkt) marketeiros/publicitários/e afins, (ET) entusiastas de tecnologia, (Blog) Blogueiros, (TI_Guys) pessoas que trabalham com informática day-by-day, e (ε) Erro -- variáveis presentes mas que não ajudam a explicar o modelo, que no caso seriam os amigos, conhecidos e outros peers que não se enquadram em nenhuma das condições especificadas -- mais o intercepto (β0).

ao rodar a regressão, teríamos o coeficiente que definiria o modelo. não, eu não vou fazer isso.

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falando em twitter, Lorenzo Frazzon agora também está por lá, meio que representando a XP Investor, mas está. a saber, Lorenzo é analista e corretor da XP Investimentos, e, além de colega amigo e parceria para nerds e não-nerds on beer, é o responsável por 2/3 dos escritores deste blog serem investidores na bolsa, bem como, de 'mercado financeiro' ser um dos assuntos por aqui tratados. então, de hoje em diante, qualquer informção sobre mercado financeiro, bolsas de valores e quetais é com o @LorenzoXP.

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ainda sobre twitter, alguém já reparou a diferença brutal entre FF e IE no twitter? segue aí um screenshot da página de design. (clique na imagem para ampliar)


e eu ainda não consigo acreditar como pessoas sobrevivem *apenas* com IE, né Michel? =/

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

[untitled | 23.01.08]

E continuando o assunto sobre mercado financeiro, linco aqui algumas matérias interessantes. Aqueles que se interessam pelo assunto, tomem nota (os que não, scroll down!):

O Valor fez um guia do que fazer em épocas de crise em meio a qual estamos passando. Matéria crucial para qualquer investidor estar por dentro do que os principais analistas de mercado pensam e recomendam. Além de falarem o básico, que é tempo de cautela, eles falam também que é tempo de cautela. Mas ainda assim é interessante. Take a peek.

Já o Rodrigo Constantino explicou por a-mais-bê o por quê da crise, é claro, em sua visão ortodoxa (versão escola austríaca). Apesar da minha pequena inclinação para a heterodoxia, não pude deixar de achar graça do muito bem humorado comentário sobre os adeptos de Keynes:

"Mais liquidez! [referindo-se ao pacote do Mr. Bush de US$150 bi anunciado na sexta-feira (18.01)] Só que essa medida artificial não iria alterar a realidade dos fatos. Os keynesianos nunca foram capazes de compreender direito isso. Acham que um sujeito consegue se suspender puxando o seu próprio suspensório."

Não sou adepto do tipo de vestir a camisa da escola austríaca e sair por aí dando brado liberais, mas concordo com um bocado de coisas que eles falam. Uma delas é o resultado trágico da expansão de crédito.

"Não há meio algum de se evitar o colapso final de uma expansão econômica gerada pela expansão do crédito. A alternativa é apenas se a crise deve chegar antes como o resultado de um abandono voluntário de mais expansão do crédito, ou depois como uma catástrofe final e total do sistema monetário envolvido."

E, para a infelicidade geral da nação, não preciso eu dizer que o Brasil está seguindo os mesmos passos da economia americana, é claro, em sua versão "subdesenvolvido/emergente", oferecendo créditos para Deus-e-o-mundo tudo em 76 vezes, com planos especiais para aposentados e pensionistas. As notícias/propagandas/boletins falam por si.

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mudando de assunto -- e talvez isso seja até assunto para outro post, mas vai neste mesmo, afinal estamos na iminência de uma recessão, não é mesmo? -- ontem estava lendo "Moacyr Scliar - O Texto, ou: a Vida", uma autobiografia que ganhei de presente de natal do prezado Michel, e da qual comentarei em breve quando tiver mais tempo (ou, assim espero), me deparo com um conto interessantíssimo.

"Os Contistas". é um conto sobre contistas e seus contos e do que são capazes de fazer para vender, divulgar, propagar seus contos. mas o que mais me chamou a atenção foi a incrível identificação de blogueiros com contistas (e/ou vice-versa). suas pluralidades, sua ganância, seu almejo de estar em evidência, enfim, se o conto se chamasse "os blogueiros", ainda assim, cairia como uma luva (não há em versão online. pelo menos foi o que o oráculo me disse). aliás, fica aí uma ótima idéia de paródia para os privilegiados com as letras. uma idéia CC. =)


// estou ficando sem criatividade para nomear meus posts. quem tiver sugestões e/ou dicas, raise your hand. =)

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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Sobre (mais uma) segunda-feira negra

Há tempos não se fala por aqui sobre Mercado Financeiro, mas a catástrofe de ontem não poderia passar em banco. No entanto, devido à algumas pedras no meio do caminho, o post só saiu hoje.

Ontem foi um dia para entrar na história, mas daqueles dos quais ninguém gostaria de fazer parte. Um dia para se esquecer (se conseguir, diga-me como). Segue aí um mini-clipping como resumo:

Valor de empresas da Bovespa já caiu R$ 344 bi no ano
Com a queda de 6,6% ontem (acumulado no ano 15,93%), o valor de mercado das empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já caiu R$ 344,9 bilhões.

George Soros diz que atual crise financeira é a pior desde 2ª Guerra Mundial
O multimilionário de origem húngara afirma que os Estados Unidos estão ameaçados por uma recessão que pode contagiar a Europa, embora isso não seja compreendido assim no Velho Continente.


O Rodrigo Prior fez uma sábia observação sobre o drama que muitas pessoas estão passando no momento devido à crise:
"é o risco de quem investe pela influência de rumores, sem saber o que realmente está fazendo"

Muita gente entrou na Bolsa na época do oba-oba pensando que a Bolsa era o meio mais prático, rápido e fácil de ganhar dinheiro. Não que isso seja totalmente uma falácia, mas tudo tem seus prós e contras. (lembra da Teoria da Distribuição Bicaudal?)

Desde que este blog começou a ter como pauta o mercado financeiro, e em épocas de céu de brigadeiro impulsionados pelo bom desempenho da economia mundial, nossa recomendação basicamente era: "bolsa é uma boa, mas precisa ser cauteloso."

O que está acontendo é quase que um erro de lógica. Do que adianta a economia mundial crescer com produções em níveis de mil milhares, sendo que a economia americana, a grande compradora, não consegue comprar nem milhares?

O efeito do pacote do Mr Bush de liberar até US$ 150 bi para evitar a recessão foi como tentar parar um trem de carga em alta velocidade com um tiro de um 9mm. 150 bi é equivalente a 1% do PIB americano e o mesmo que circula em um dia no mercado asiático. A decepção foi generalizada.

E hoje o dia começou negro na ásia. Perdas e mais perdas catastróficas. Um hora após a abertura do pregão, o índice da Bolsa da India marcava perdas de 9,75%. Tudo indicava que ia ser uma continuação de ontem. Felizmente, o FED resolveu se reunir em caráter emergencial e cortar as taxas de juros em 0,75% para 3,5. Isso deu um pouco de fõlego para os investidores e que tem assegurado, até o momento, um ensaio de recuperação.

O que tem aos montes hoje nos principais jornais são especialistas dizendo que o momento agora é para ter calma e esperar o mau tempo (algo como um furacão de nível 6) passar. Que temos que pensar no longo prazo e blá-blá-blá. O que é ao mesmo tempo óbvio e a única coisa a ser dita. Não há nada que possa ser feito além de esperar que os investidores reajam bem às iniciativas tomadas pelo FED e torcer para que os americanos resolvam gastar mais, pois só assim estaríamos, quiçá, livres um momento negro na história da economia mundial.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Apagão de evolução

Não é porque foi prometido o apagão lá pros anos de 2011 [data um tanto longínqua e suspeita] que nas previsões de 2008 ele não deveria estar incluído.

Aqui na minha cidade, interior do interior gaúcho, já estamos acostumados com a falta de luz às tardes, quando acontece, acendemos o fogão com um palito de fósforo, aquentamos a água para o chimarrão, e ficamos mateando e contando o tempo até começar a circular o caminhão da empresa responsável pela rede elétrica [aqui moramos em casas com grama e jardim na frente]. Geralmente em duas horas está resolvido. O problema que se configura não importa, importa mesmo é que ele não deveria existir.

Se fosse para escrever um livro, diria que o passeio do caminhão, é um mero instrumento de análise do perfil do consumidor, com ordens superiores a cumprir e a ocultar os sujeitos ali nos observando não passam de calhordas sujos e sem família sorrindo contidamente. Até que o pessoal do pacato lugar um dia... Mas isso não é verdade. Retomando..

Faltou gás, água, faltou o que mesmo? Faltou o planejamento, por isso não desligo mais a televisão, nem abro mão do ar condicionado nas noites quentes, racionar energia para perpetuar o problema nunca mais. [Lembrar de ser mais sensato em algum momento neste mesmo lugar e horário]. Aumentos consecutivos dessas e daquelas taxas prometiam melhor eficiência na rede elétrica, mas as oscilações ainda são constantes, irritantes, tenha três ou mais estabilizadores de tensão em casa e fique pirado com os estalinhos. Geladeira e freezer chegam a pedir socorro.

E ainda tenho que ouvir que as soluções [veja bem, então temos o problema] serão tradicionais, no Brasil parece que nenhuma hora é a hora, a inovação não nos pertence, ajuda-se um setor com problemas momentâneos, perpetua-se o problema, mas as energias limpas e descentralizas que poderiam amenizar – e porque não acabar – com o problema, continuam em baixa. Deve haver alguma questão de concentração do poder, como sempre há.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

O futuro é agora e a melhor notícia de 2007

E a BBC Brasil publicou ontem uma reportagem comentando uma outra do LA Times que faz aquela velha piadinha de que o Brasil é a economia do futuro. A graça da piada, estava no fato de que o futuro nunca chega. Mas dessa vez, segundo LAT, o futuro chegou.

A reportagem é bem interessante (como você pode conferir aqui). Cita o crescimento da economia brasileira diante do "otimismo mundial" no ano de 2007 e ainda cita algumas empresas (como Embraer, Oderbrech, Petrobrás...) que merecem destaque por seu crescimento a nível mundial.

Mas nem só de boas novas vive o homem. A reportagem também menciona as necessidades que o Brasil tem para alcançarmos de fato o tão almejado crescimento sustentável, sendo a principal delas o investimento em infra-estrutura e, a não dependência das commodities ameaçadas com uma porventura quebra dos EUA. Implicitamente, um desenvolvimento técnico-científico.

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E é aí que entra a melhor notícia lida em 2007, que por ironia do destino, foi no "inho". Em um entrevista cedida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, à Agência Estado, Miguel Jorge faz um discurso lindo de encher os olhos qualquer desenvolvimentista.

Separei alguns trechos que achei mais interessante:

Jorge defendeu que é preciso haver agregação de valor às exportações, pois apenas cerca de 30% delas são produtos de alta e média intensidade tecnológica. Mas foi enfático ao afirmar que nenhuma política industrial é capaz de reverter, em apenas dois ou três anos, déficits comerciais tradicionais, como o do setor elétrico e eletrônico no País. Tão pouco acabar com a diferença tecnológica que separa o Brasil dos países desenvolvidos, em vários setores.

Acreditamos que a política industrial contribuirá para o desenvolvimento do País e para uma maior e melhor inserção externa da economia brasileira. Um ponto absolutamente fundamental é que ela ajudará o setor produtivo para um salto de qualidade - necessário -, em direção à produção de bens e serviços de maior valor agregado e mais intensivos em tecnologia. Nesse sentido, as medidas para a política industrial têm algumas metas básicas.

Todos sabemos que nossas taxas de investimento ainda são muito baixas, comparadas às de outros países em desenvolvimento. Para que o crescimento seja sustentável no longo prazo, é fundamental o aumento dos investimentos, que traz o aumento da capacidade produtiva da economia, de modo geral, e da indústria, em particular.

Atualmente, a competitividade e a produtividade dos países e de suas empresas são fortemente determinadas pelo avanço tecnológico. A tecnologia explica, também, boa parte do crescimento econômico dos países. Por isso, precisamos ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento e na produção de novas tecnologias.

Enfim, como eu disse antes, é um discurso muito bonito. Eu só anseio por ver tudo isso na prática. O dia em que o Brasil tiver uma política industrial digna de receber o nome de Política Industrial, certamente estaremos caminhando para um desenvolvimento sustentável sólido e uma economia mais estável. Para quem estiver a fim de ler a reportagem completa com a entrevista na íntegra, é só clicar aqui. Vale a pena.

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E a primeira notícia que leio hoje:

01/01/2008 - 09h14
Cresce temor de recessão nos EUA em 2008

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A nova CPMF

"Se ele [Mantega] for sincero, a gente leva a proposta [pela aprovação da CPMF] para a bancada" "Nós não vamos nos acalentar com cantigas" afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Netto (AM).


E parece que eles foram sinceros ao exigir a sinceridade. Afinal, o governo rebolou nas desculpas esfarrapadas que vira e meche inventava para aprovar o “imposto do cheque”. Os tucanos, fazendo papel de oposição, dizem que não é mais preciso a contribuição, digo, imposto, não não, a contribuição, eterna. Mantega diz que .. bom não importa, ele é superficial demais, o importante só surgiu como a ultima alternativa para a aprovação – que também não deu certo – e talvez como aquilo que todos merecem ouvir, a CPMF servia para combater a sonegação fiscal. Demorou, mas foi dito. E eu pergunto, doeu?

O cruzamento das informações derivadas da cobrança da CPMF com as declarações de Imposto de Renda dos contribuintes é um poderoso e importante instrumento de combate à sonegação fiscal. E o mais importante, para o governo, é barato, e rende muito.

Feito este raciocínio, entramos na questão do percentual, lógico que como tudo onde o governo põe a mão, ele tira uma casquinha, e assim surgiu o percentual de 0,38% que, com desculpas mil, aumentou, continuou, mudou de propósito e acabou ficando na mão do governo quase que por completo, e abastecia alguma ‘eventual’ fanfarronice governamental.

Temos ainda que o combate à sonegação fiscal e fanfarronice governamental se completam, com CPMF e DRU, respectivamente. A DRU (Desvinculação de Recursos da União) também tem a sua história para boi dormir, resumindo, ela permite que 20% da arrecadação seja usada livremente, dá mais liberdade aos gastos do governo.

A propósito, presidente, CPMF é coisa de rico, que não devia reclamar? É lógico que não é bem assim, a carga tributária já é alta, não agrada, não retribui e de quebra ainda respinga em todo canto, até no pobre cidadão, que paga boa parte dos custos gerados pelos impostos.

Bem, por enquanto você pode ler a História-da-CPMF, mas a nova CPMF, só hoje de tarde, talvez.